Reforma tributária: Maia articula votar na próxima semana texto que unifica PIS e Cofins

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta quarta-feira (16) que tentará articular a votação, na semana que vem, do projeto de lei que unifica o PIS e a Cofins, dois impostos federais sobre o consumo.

A medida seria uma forma de dar os primeiros passos, ainda em 2020, para a reforma tributária. Há textos mais amplos no Congresso, mas a tramitação dessas outras mudanças está parada há meses.

Segundo Maia, a ideia é tentar votar o projeto enviado pelo governo ao Legislativo, em julho, que trata apenas dos tributos sobre consumo. O texto transforma PIS e Cofins em um tributo de valor agregado com o nome de Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS).

Maia afirmou que deve procurar o relator da reforma tributária, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), para consultá-los sobre a inclusão na pauta. A votação teria que acontecer no máximo até terça-feira (22), último dia de trabalho legislativo neste ano.

“O governo apresentou um projeto que é convergente com a PEC 45 [reforma tributária], que é a unificação do PIS e Cofins, que é uma votação de maioria simples, e que, se nós conseguíssemos com o Aguinaldo e o líder Ricardo Barros construir um texto de consenso, teríamos condição de aprová-lo e ter uma boa sinalização para a sociedade neste momento”, afirmou Maia.

Por ser apresentada em um projeto de lei, a unificação depende apenas de maioria simples dos votos. A reforma tributária mais completa tramita como proposta de emenda à Constituição (PEC), que exige dois turnos de votação com ao menos 308 votos a favor.

Segundo o presidente da Câmara, o texto do projeto poderia incluir alguns outros pontos da PEC, mas trataria apenas de PIS e Cofins.

“Melhorando o texto e incluindo algumas coisas que podem ser introduzidas por lei que estavam sendo introduzidas na PEC em relação ao PIS e Cofins só, nenhuma coisa além disso, talvez fosse o primeiro passo para a unificação de impostos no próximo ano de todos os impostos sobre bens e serviços. A partir do ano que vem, incluir o IPI e incluir o ICMS e o ISS”, disse.

Embora reconheça que a PEC teria um peso maior, Maia diz que o projeto de lei já seria um bom indicativo para o mercado.

“É claro que a PEC tem um peso, uma importância muito maior, mas talvez o projeto de lei seja o primeiro passo, uma primeira sinalização para aquilo que a gente pretende no parlamento, que é sempre construir uma maior segurança jurídica e um melhor ambiente de negócio”, afirmou.

Em outubro, Maia disse à GloboNews que buscaria construir um texto consensual sobre a reforma tributária ainda neste ano. Veja:

Paulo Guedes ‘enfraquecido’

Ao comentar o cenário econômico do país, Rodrigo Maia fez críticas à atuação do ministro da Economia, Paulo Guedes. Na visão dele, o ministro está “enfraquecido” e a pauta defendida pela equipe econômica tem, hoje, apoio minoritário no resto do governo.

“A minha impressão é que a pauta econômica liderada pelo ministro [da Economia] Paulo Guedes hoje é minoritária no governo e a agenda majoritária é uma pauta expansionista em gasto”, disse.

“Acho que o Paulo Guedes, infelizmente, pelo que ele representa, pelas políticas que defende, acho que está enfraquecido e não é bom para o Brasil.”

Fonte: G1